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Albano Afonso

Artigo: O MAC USP e os novos preconceitos da velha mídia

Por Tadeu Chiarelli, diretor do MAC USP

Mais do que o título “O MAC tem problemas estruturais e conceituais”, em texto de Fabio Cypriano publicado na “Ilustrada” (Folha de São Paulo) estranhei o subtítulo: “Mostra pouco ambiciosa que inaugura nova sede do museu é prejudicada por excesso de colunas e pé direito baixo”. A Folha esqueceu que o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo atua ali faz mais de um ano? O texto informa que a exposição o Agora, o Antes, “finalmente ocupa o sétimo andar da nova sede do Museu”. Como assim? Não se trata do fim de um processo. A exposição o Agora, o Antes, junto com Di Humanista, inauguradas na mesma data, dão continuidade ao processo de implantação do Museu naquele espaço, iniciado em janeiro de 2012, e que no estágio atual já comporta sete exposições. Portanto, não é a mostra que deve ou não ser julgada ambiciosa. Ambicioso é o processo total de implantação de um museu público universitário naquele complexo e o que quer que se escreva sobre a mostra deveria levar em conta esta situação.

O jornalista parece ter ficado decepcionado com a montagem da exposição que, para ele, não teria dado conta dos problemas resultantes da adaptação do edifício para seu novo objetivo. Lamento a decepção, mas afirmo que a equipe conseguiu driblar as dificuldades apresentadas pelo espaço obtendo como resultado uma exposição que apresenta cada uma das obras de maneira correta e sem esconder, com recursos cenográficos, os condicionantes físicos do lugar. Este é um partido expográfico assumido pelo Museu e que, presente nas outras exposições, será mantido nas próximas. (Lidar com limitações impostas pela adaptação de edifícios históricos é uma problemática constante na história da arquitetura de museus que não deve ser camuflada).

Quando o comentarista escreve sobre a mostra “em termos de conteúdo”, remete o leitor à suposta dificuldade do MAC USP em apresentar seu acervo. Para embasar essa impressão lembra que o Museu Reina Sofia “vem tentando rever a história da arte de um ponto de vista menos eurocêntrico”. Já o MAC USP, “parece não buscar um realinhamento dentro desse panorama”. Rever a história da arte – que todos entendam –, não significa seguir os ditames dessa ou daquela instituição ou ditames “politicamente corretos” das penúltimas teorias. O MAC USP optou por reexaminar as narrativas mais arraigadas da história da arte “eurocêntrica”, atacando um de seus baluartes: os gêneros artísticos tradicionais. A partir da exposição fica nítido como esses gêneros foram e vêm sendo processados por artistas modernos e contemporâneos, numa relação complexa de reiteração e superação de valores que transcendem a simples aproximação entre passado e presente. Colocar em relação obras que, separadas no tempo e no espaço turvam a hierarquia dos gêneros é propor outro patamar para rever as narrativas canônicas da história da arte e mesmo aquelas que sob pele de cordeiro, atuam para manter hegemonias centenárias.

Tal atitude perturba o conforto dos contentes ou os novos preconceitos da velha mídia? Paciência, este é o papel de um museu de arte contemporânea.

*Título original, modificado pela Folha de São Paulo para ‘Réplica: MAC-USP supera limitações na mostra “O Agora, O Antes“‘.

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