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Exposição em destaque: Di Humanista

Em exibição agora no MAC USP Nova Sede, Di Humanista reúne 67 obras que revelam a visão de Di Cavalcanti sobre a paisagem social do Brasil, principalmente em relação aos seus moradores mais humildes como pescadores, trabalhadores e homens e mulheres comuns. Abaixo você lê texto escrito por Katia Canton, docente do MAC USP e curadora da exibição, que elucida a celebrex generic importância do artista para a construção da identidade social do país.

Di Humanista tem entrada gratuita e fica em cartaz no MAC USP Nova Sede até o dia 06 de outubro .

Sem título (Dançarina Sentada), 1929

Di Humanista
Por Katia Canton – Curadora da Exposição e Docente do MAC USP

“A cultura não apaga os meus sentidos, sou sempre o vagabundo, o homem da madrugada, o amoroso de muitos amores”, afirma Di em seu livro de memórias Viagem da Minha Vida, 1955.

Emiliano de Albuquerque e Mello – esse é seu nome de batismo – foi jornalista, caricaturista, ilustrador, poeta e pintor. Foi um artista completo e independente, um autodidata, cuja potência de criação se expande pela diversidade de sua obra e a intensidade de sua vida.

Di Cavalcanti, um homem que produziu obras e ideias fundamentais para a construção de um Brasil moderno, nos deixou muito mais do que um legado histórico: ele personificou um projeto ético-estético próprio, dirigindo seu olhar apaixonado para todo tipo de gente, incluindo em sua generosa moldura visual: pessoas pobres, prostitutas, pescadores, mulheres, em todas as suas variedades, trabalhadores, homens comuns, enfim.

Sem título (Mulher e Criança), generic viagra online 1927

“Di foi o primeiro a trazer para a pintura a gente dos morros, a gente dos subúrbios, onde nasceu o samba. Sendo o mais brasileiro dos artistas, foi o primeiro a sentir que entre o interior, a roça, o sertão e a avenida, o “centro civilizado”, havia uma zona de mediação – o subúrbio”, disse Mario Pedrosa. (Di Cavalcanti, Jornal do Brasil , 6 set. 1957).

Eis que essa atitude se torna emblemática de um humanismo fincado nas bases históricas que se construíram a partir dos anos 1920. Esse momento inaugura a gênese do Brasil Moderno, mobilizando artistas, intelectuais e certa elite abastada a pensar e definir nossa identidade social. A produção cultural começa a se politizar, na medida em que a inteligência pensa na necessidade de reformas que legitimem a ideia de um povo e de uma nação modernos. Em 1922, a realização da Semana de Arte Moderna em São Paulo, representa o desafio público que demonstra a ruptura com pantoprazole vs nexium o padrão cultural existente até então.

Di Cavalcanti, o homem que articulou a Semana de 1922, teve um papel fundamental no estabelecimento do modernismo brasileiro, em várias de suas frentes, seja no Rio de Janeiro como em São Paulo. Esse grande homem incorpora a figura emblemática do humanista modernista, ecoando muitos elementos que a definem e a legitimam: o amor às pessoas; o pensamento social; a obra que denuncia ao mesmo tempo em que é carregada de carinho e compaixão; o encantamento pela figura feminina; a erudição e o respeito pela gente simples; os muitos amigos; as muitas viagens; as discussões nas mesas de bar; a boemia; a intensidade de uma vida que se expõe a todo o momento, nas obras, nas relações humanas, na amorosidade, no humor, no corpo.

O Beijo, c. 1923

Esse humanismo de carne e osso, banhado por um espírito do tempo de rebeldia, parece se flagyl side effects definir perfeitamente na pele desse artista completo, que defendia o Brasil e nossa identidade, através de escritores, poetas e pintores que retratavam nossas imagens e emanações culturais (Di era contra a abstração); que se fascinava e se misturava ao povo e as suas manifestações, carregadas de lirismo e de dor; que estabelecia para si a liberdade incondicional como princípio maior, negando-se a penetrar os moldes burgueses da vida. A boemia, as noitadas, as mulheres e os incríveis amigos, que compuseram com ele um mapa da constelação cultural brasileira; tudo isso se lexapro or zoloft which is better completava nele, como num quebra-cabeças de amor pelo humano, em todas as suas instâncias.

Hoje, podemos dizer que vivemos outro tipo de humanismo que, a grosso modo, substitui o corpo a corpo, o romantismo e as mesas de bar por propostas de transformações e denúncias veiculadas nas trocas virtuais e nas redes sociais. Mas essa é outra história.

Aqui, para homenagear Di e sua alma humanista, dividimos a exposição em alguns núcleos, que ilustram suas paixões e interesses: Vida Real, Mulheres, Boemia e Carnaval, Gente (Trabalhadores e Famílias) e Política.

Que, como eu, vocês possam descobrir e se encantar com o grande artista e o grande homem, que é muito, mas muito mais do que apenas o “pintor das mulatas”.

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