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Inventário: arte outra

Gustavo von Ha

“O trabalho recente do paulista Gustavo von Ha revela sua mais nova faceta na abordagem do problema da autoria e da autenticidade na arte, ao mesmo tempo em que brinca com seu paradigma maior: a pintura. Com Inventário; arte outra, o artista apresenta um conjunto de obras, tomando por modelo a pintura modernista das décadas de 1950 e 1960, que se caracterizou pela gestualidade, ou seja, pelas marcas expressivas do artista na superfície da tela.

Assim, von Ha se passa por Jackson Pollock ou Yves Klein, ladeando suas versões contemporâneas desses artistas com pinturas completamente carregadas de tinta, formando um objeto quase escultórico. Essas últimas se produzem pelo apagamento mesmo do gesto do artista, uma vez que resultam da raspagem de uma pintura existente, depositada em uma nova tela. A pintura é, portanto, literalmente desmanchada, para criar essas telas.

Mas a pintura também é desmanchada em seu caráter heroico, de afirmação da personalidade artística, e da individualidade do artista, não só porque ela nasce da imitação – e coloca em xeque a ideia do gesto único, autêntico e individual -, mas porque ela não se quer pintura propriamente, já que o conjunto se refere a pintura icônicas recombinadas e reinventadas, e que por outro lado, não são mais reconhecíveis.

O MAC USP possui desenhos que von Ha criou a partir da cópia de desenhos de Tarsila do Amaral, um filme e um trailer fake, produzidos pela também fictícia Heist Filmes. Sua exposição que apresentamos agora constitui o novo capítulo de sua confrontação com a narrativa da arte moderna e o sistema da arte que ela engendrou, desafiando assim sua institucionalização e sua cristalização numa versão única. Ao referir-se ao expressionismo abstrato e outras correntes gestuais dos anos 1950 e 1960, von Ha aponta para estas que são vertentes menos privilegiadas em nossa história da arte, iluminando outras obras e artistas em nosso próprio acervo – a exemplo de Cabeça Trágica, de Karel Appel, em exibição na mostra permanente do acervo do Museu.”

Ana Magalhães
Curadora MAC USP

 

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